AIDS SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA:
Vencendo preconceitosOrientadores:
Emília Cristina Benevides de Freitas e Adilson Dias Salles
Autores:
Meriele da Silva Ferreira, Erika Rodrigues Guimarães Medronho, Maria Claudia de Mattos Molina, Renata Medeiros Gomes e Renata Pessanha Gama
A síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) constitui um dos grandes desafios da sociedade no final deste século. Ao lado dos riscos reais de contaminação, os portadores/pacientes enfrentam outro grave problema que é a estigmatização. A relação da SIDA com a homossexualidade, a promiscuidade e o uso de drogas, traz dois elementos novos ao processo: a delegação de culpa e a punição pelos desvios. O desconhecimento e a falta de uma discussão mais honesta sobre esses temas, geram preconceitos que funcionam como um verdadeiro julgamento social. Os erros de atitudes, mesmo entre profissionais ligados à área, por certo estão apoiados em tais questões.No convívio com as práticas de educação física, como os esportes, as competições e as ações de saúde, os profissionais devem dimensionar os riscos reais de contaminação e rever de uma forma mais apropriada as suas atividades.
O principal objetivo deste trabalho é retomar a questão da SIDA em um novo contexto e, a partir daí, incluir neste processo, os estudantes/professores de educação física como verdadeiros atores sociais.
Iniciamos o projeto com uma abordagem teórica do problema, por meio de debates com especialistas da área e com visitas a instituições (ONGs) como os Grupos "Pela VIDDA" e "Sim à Vida", através de atividades teóricas, práticas e debates reunindo vários enfoques biossociais.
Os estudantes envolvidos no projeto tiveram a oportunidade de estabelecer um contato com portadores do vírus HIV, o que influenciou uma significativa conscientização quanto ao problema.
Elaboramos um questionário, apoiado por especialistas da área que foi aplicado a 60 alunos do curso de Licenciatura em Educação Física, inscritos na disciplina de Anatomia em 1999/1, e a 100 pessoas escolhidas ao acaso em bairros do Rio de Janeiro. Neste questionário abordamos vários olhares a respeito da SIDA e das relações interpessoais envolvidas.
Os resultados mostraram que há um grande desconhecimento sobre a doença e seus desdobramentos psicossociais, comprometendo a abordagem prática da questão. Este quadro não variou com o nível universitário dos entrevistados e das informações veiculadas pela mídia.
Concluímos que o nível de conhecimento sobre a doença é insatisfatório e que isto parece refletir a falta de uma discussão mais ampla e direta sobre a doença e suas ramificações, face à sua natureza transdisciplinar. Os erros de atitude, certamente, se originam da falta de um debate amplo e irrestrito. Uma das ações positivas que poderiam, ao longo do tempo, quebrar este modelo é a participação desses alunos no próprio processo de construção. Atualmente vários estudantes atuam como voluntários do Grupo "Sim à Vida". Julgamos que um convívio operacional mais freqüente entre as ONGs que tratam desses problemas com o ambiente universitário possam eliminar tais estigmas.
REABILITAÇÃO DE CRIANÇAS PORTADORAS DE NEOPLASIAS:
Uma questão socialOrientadores:
Emília Cristina Benevides de Freitas e Adilson Dias Salles
Autores:
Anderson Silveira Pinhel Silva e Marcelo Dominguez Rodrigues Moreira
Ao lado da gravidade intrínseca da própria enfermidade, as crianças portadoras de câncer apresentam variadas síndromes relativas ao processo de internação e isolamento nos estabelecimentos hospitalares deste gênero. Os sentimentos de desamparo e de abandono, a falta de entendimento sobre o que está ocorrendo e, mais adiante, a ressocialização são problemas que afligem a família e os profissionais de saúde. A soma desses fatores negativos constitui um grande obstáculo na recuperação.As treinadas equipes de saúde que abordam o diagnóstico, o prognóstico, as medidas terapêuticas e a reabilitação física não dão conta de todas as etapas, uma vez que os processos de convívio e de socialização devem ser coordenados por profissionais especializados. Constatou-se uma lacuna entre aos procedimentos clínicos e a ulterior relocação da criança em seu convívio familiar. Acreditamos que este espaço possa ser preenchido pelos professores de educação física.
O objetivo deste trabalho foi perceber a real necessidade da prática de educação física neste contexto, ou seja, influir na aceleração da recuperação dos pacientes pediátricos portadores de neoplasias e melhorar o seu convívio social per e pós internação.
Entrevistamos profissionais das equipes de saúde de três instituições afins, ligadas ao tratamento do câncer infantil: O Instituto Nacional do Câncer/MS (INCA), a Casa Ronald Mc'Donalds, e o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira /UFRJ (IPPMG).
Os resultados destas entrevistas revelaram uma unanimidade em afirmar que, de fato, existe um espaço não ocupado pela equipe multidisciplinar responsável pela recuperação de crianças portadoras de neoplasia.
Entendemos que o trabalho de recreação e reabilitação para o retorno ao convívio social é subestimado, abdicando da presença de profissionais específicos nesta área. As motivações criadas pela inclusão dos professores de educação física podem funcionar na resposta imunológica das crianças, auxiliando a sua cura e suavizando o sofrimento de pacientes terminais e, inserir, de uma forma definitiva, a Educação Física na área da Saúde.
USO DE ESTERÓIDES ANABOLIZANTES EM FISICULTURISMO:
Estudo críticoOrientadores:
Emília Cristina Benevides de Freitas e Adilson Dias Salles
Autores:
Rodrigo Menezes Gatto, Alexandre Coutinho Vasques, Diogo de Freitas Borba e José Henrique Vieira Garcia
O uso crescente e indiscriminado de esteróides anabolizantes nas práticas esportivas e em academias de musculação têm preocupado as autoridades médicas e os próprios profissionais de Educação Física, face aos seus riscos. Os comitês olímpicos, com alguma freqüência, punem os atletas que, movidos pela necessidade de resultados imediatos, fazem uso de tais substâncias. Estas medidas protegem a saúde dos jovens e tornam mais justas as competições. Assim, julgamos oportuno investigar a respeito do real conhecimento do professor de Educação Física em relação ao problema.
Este trabalho foi realizado por meio de entrevistas com 32 professores de educação física em 28 academias de musculação do município do Rio de Janeiro. Nas entrevistas utilizamos um questionário onde consideramos duas questões básicas:1. O conhecimento sobre os esteróides anabolizantes e de seus efeitos; 2. O papel do profissional de Educação Física neste processo.
Todos os entrevistados afirmaram a necessidade de um profundo conhecimento dos esteróides e de seus efeitos pelos professores de educação física. Verificou-se que 90,6% dos professores entrevistados concordam que existe a utilização dessas substâncias em academias por não atletas. Todos os profissionais ligados ao treinamento de fisiculturistas afirmaram que o uso de anabolizantes é fundamental para obtenção de resultados em competições de alto nível. Contudo, os entrevistados afirmaram que a prescrição de qualquer medicamento deva ser de competência médica e que o profissional de educação física deva se eximir desta responsabilidade.
Cerca de 81,21% dos profissionais que participam do treinamento atlético, afirmaram que o uso de anabolizantes seja restrito aos fisiculturistas, desaconselhando o uso dessas drogas por alunos que não utilizem a musculação com objetivos competitivos.
Dentre os profissionais que não treinam atletas, apenas 10% são favoráveis ao uso de anabolizantes por não atletas.
Todos os profissionais concordam que a pressão do sistema -alunos, competição, mercado - favorece a utilização de anabolizantes de uma forma indiscriminada e leiga, o que vem provocando uma série de problemas clínicos que, por vezes, assumem conseqüências fatais.
Assim, diante desses resultados concluímos que:
1. Deve haver maior participação da bioquímica, fisiologia e farmacologia nos programas de educação física, que enfatize tais questões;
2. Criação de programas de ética e compromisso social nas faculdades de Educação Física com finalidades formadoras;
3. Maior fiscalização por parte das autoridades competentes, como os Conselhos Regionais, Ministério da Saúde e comitês que legislam sobre as práticas esportivas para coibir o uso de drogas sem indicação médica específica.
Não se pode perder a dimensão de que seremos professores de Educação Física e que isto nos confere grande responsabilidade na construção de uma sociedade mais sadia e participativa.